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Superior Regional Visita Angola
Segunda, 24 Dezembro 2018 15:27

IMG 20181221 WA0011VISITA A LUACANO-DIOCESE DE LUENA
(12-22 de Dezembro)
Parti para Angola a 12 de Dezembro tendo chegado a Luanda às 21h00. Estavam à minha espera os Padres Freddy Gomez e Marcos Sembeye da residência da comunidade IMC da Paróquia de Santo Agostinho de Kapalanga.
Na manhã seguinte, o Padre Dani Romero acompanha-me ao aeroporto. Às 10 da manhã parto para Luena, situada a cerca de 1350 km a leste de Luanda. À minha espera estava o Padre Cipriano, diocesano de Luena, que me acompanha ao paço Episcopal de Luena, onde almoço. Dom Jesus Tirso Blanco (Dom Tirso), Bispo de Luena, ausente num encontro pastoral volta só à tardinha. Temos então um primeiro encontro para falarmos da nossa presença em Luacano.
No dia seguinte, às 6.00 da manhã parto de comboio para Luacano. São 230 quilómetros na histórica Linha Férrea de Benguela, com uma extensão de 1344 km, liga o litoral de Angola, o Porto de Lobito, com o interior, chegando a Luau, na fronteira com o República Democrática do Congo.
A viagem de ligação entre Luena e a vila de Luacano durou 4 horas Atravessamos grandes planícies de floresta e junto ao Parque Nacional da Cameia, vastas áreas pantanosas que se estão a encher de água (chanas) cobertas por capim alto e pequenos arbustos.
Às 10.00 cheguei à vila de Luacano. Está à minha espera o Padre Luiz António de Brito que desde finais de Outubro reside em Luacano. Até agora está sozinho. O Padre John Kyara, destinado à comunidade de Luacano, encontra-se ainda na Paróquia de Funda a tratar os documentos para a sua residência em Angola.
Chegámos à residência missionária situada num bairro para funcionários construído pelo Governo, o qual cedeu à diocese 2 casas geminadas para residência da equipa missionária.
A Diocese de Luena fez um excelente trabalho de remodelação da casa e equipou-a com tudo o que é essencial e com um conjunto de painéis solares que dá energia suficiente para a iluminação e alimentação de um frigorífico e de uma geleira. A Diocese entregou à Paróquia de Luacano um Toyota Land Cruiser de dupla cabine.
No sábado, dia 15 de Dezembro, começamos o dia com a Santa Missa às 5.30. A comunidade católica que durante muitos anos viveu um longo jejum eucarístico, tem a possibilidade de ter Missa diária. IMG 20181221 WA0005
De manhã fomos à estação ferroviária de Luacano buscar o material vindo de comboio de Benguela para usar na vedação do espaço à volta da casa paroquial (quintal). À tarde houve ensaios de cânticos para a Novena do Natal e para as solenidades que se seguem.
16 Dezembro, Domingo
Presido à Santa Missa às 8.00 horas. No início destapámos e abençoámos a imagem da Padroeira da Paróquia de Luacano, Santa Maria Mãe de Deus, mandado fazer em Luanda. Um amplo e bonito quadro de Maria que tem nos braços e apresenta o seu Filho.
IMG 20181216 WA0000Depois da Missa, seguiu-se o Conselho Pastoral Paroquial. O primeiro desde a criação da Paróquia e a tomada de posse do pároco, no dia 28 de Outubro de 2018. Os participantes da Assembleia Diocesana de Pastoral realizada no mês de Novembro deram o relatório dos temas tratados e apresentaram as conclusões (programação diocesana). A assembleia teve como tema a catequese.

No dia 18, juntamente com o Padre Luíz fizemos uma avaliação da nossa presença em Luacano e traçamos o caminho de futuro. O nosso irmão, apesar de estar sozinho e isolado, encontra-se bem e contente. As dificuldades são aqueles que sentimos nos inícios de qualquer obra: lugar novo, não conhecer ninguém, uma comunidade católica minúscula e abandonada, e até uma malária que contraíu alguns dias depois da sua chegada.
Aos poucos as dificuldadesforam ultrapassadas com a proximidade das pessoas, a diponibilidade dos católicos em colaborar, as visitas, o rezar juntos (mesmo com alguns pastores de outras igrejas que o vieram visitar em casa), a visita e apoio da equipa missionária argentina residente na paróquia de Lumeje (a 130 km de distância), etc.
Fizemos memória dos objectivos fundamentais da nossa presença em Luacano:
- Trabalho em equipa e bem coordenado;
- Prioridade ao primeiro anúncio;
- Visita às comunidades cristãs existentes e a criação de novas;
- Formação dos agentes de pastoral;
- Criação de centros pastorais (zonas ou áreas);
Actualmente a paróquia de Luacano é composta por 10 pequenas comunidades cristãs: Luacano, Kaifuche, Kalomba, Dilolo, Katu, Cassanguissa, Lituta, Catema, Caxita e Maia. Como estamos no período das chuvas é impossível visitá-las nos próximos meses. Agora a prioridade é a sede paroquial de Luacano. Trata-se de reorganizar a comunidade com a criação de comissões pastorais com a maior participação de todos, presença nos bairros (visita às famílias), formação dos catequistas, início da catequese, etc.
À tarde tivemos um encontro com o Administrador de Luacano. Rodrigues Chipango Sacuaha, (que é Adventista), manifestou o seu contentamento pela presença dos missionários e pela criação da Paróquia Católica de Luacano algo que considera muito importante para o crescimento espiritual e desenvolvimento humano da região. Mostrou a disponibilidade do Governo em continuar a colaborar com a Igreja Católica de promoção humana.

Na Quarta-Feira, dia 19 aproveitando a boleia de carro de um paroquiano, Bernardo Tomás, que se desloca de Luau, viajo para conhecer esta vila angolana situada na fronteira com a República Democrática do Congo. O objectivo da visita é também conhecer a estrada que os nossos padres terão que usar, atravessando o distrito de Luau, para visitar uma zona pastoral com 2 comunidades – Caxita e Maia – pertencente à paróquia de Luacano que estão na fronteira com o Congo.Saímos cedo, pelas 4.30 da manhã e demorámos 4 horas para percorrer a distância de 100 km entre Luacano e Luau, seguindo quase sempre de perto a linha férrea. Atravessámos planícies alagadas de água (chanas) e floresta fechada, uma região completamente desabitada. A estrada, é uma picada com muitos buracos, cheios de água, devido à chuva intensa destes dias. O Land Cruiser em que viajamos teve que ir directamente para a oficina pois perdemos a suspensão e os travões. Visitamos os Padres Dehonianos que têm a responsabilidade da Paróquia de Luau. A Paróquia-Missão de Santa Teresinha do Menino Jesus de Luau foi fundada pelos Beneditinos em 1936. Daqui, evangelizaram a região de Luacano onde fundaram uma escola-capela em 1937. A região de Luacano e as suas comunidades foi evangelizada a partir de daqui. Nas vésperas da independência, em 1974, os Beneditinos retiraram-se e toda esta vasta região ficou sem assistência pastoral. Logo de seguida veio a guerra civil entre MPLA e UNITA que tudo destruiu. Luau conseguiu resistir até 1984, ano em que foi ocupada pelos militares da UNITA. A população refugiou-se nos campos de refugiados na província do Katanga. A guerra terminou em 2002. Iniciou-se a reconstrução e o regresso dos refugiados. Os Padres Dehonianos assumiram a paróquia de Luau em 2005.A vila de Luau é uma hoje uma cidade completamente reconstruída. Com largas avenidas asfaltadas, uma moderna estação ferroviária, um aeroporto internacional, sem uso, e estrada asfaltada para leste, em direcção à Zambia, e para oeste, na direcção de Luanda, via Saurimo, capital da Lunda Sul. Depois do almoço, regressamos a Luacano debaixo de chuva:

20 Dezembro, Quinta-Feira
Missa às 5.30, durante a qual abençoámos e usámos pela primeira vez o altar e ambão em madeira que chegou ontem de Luena no comboio.Aproveito para visitar a pé, acompanhado por um catequista, os bairros de Luacano. A vila é maior do que à primeira vista parece. È formada por 8 bairros: Mwagaseki, Kandende, Operário, Camponês, Deolinda, Saulimo, Topi, Kawawa. Os habitantes são cerca de 8.000. Constato que existe bastante população e muitas igrejas e seitas de tipo pentecostal. A Igreja com uma presença mais consistente é a Igreja Evangélica dos Irmãos de Angola (IEIA) com igreja em 3 bairros. As casas nos bairros são, em geral de adobe (blocos de barro), pequenas, cobertas em geral com chapas de zinco, chão em terra batida, sem água mas com energia elétrica, quando o gerador da administração funciona. Na avenida principal da vila de Luacano já há casas melhores, quase todas do tempo colonial, e algumas infra-estruturas foram construídas pelo Governo recentemente: escolas (pré-primária, primária, secundária e profissional), posto de saúde e maternidade, casas para os funcionários, etc.
O dia seguinte, sexta feira é de regresso.De manhã, com o Padre Luíz, trocámos impressões sobre a visita e recordámos os compromissos assumidos. Acompanhado por ele, depois do almoço, dirijo-me para a estação de caminho de ferro. Depois das despedidas embarco de regresso a Luena, onde chego à noitinha.Depois do jantar, reúno-me ainda com o bispo Dom Tirso: assinámos a convenção sobre as mútuas relações e responsabilidades da Diocese e do instituto em relação à cura pastoral da paróquia de Luacano, os limites territoriais da paróquia, as prioridades pastorais, a vinda de uma equipa de Irmãs para Luacano, etc.
O Bispo manifesta o seu profundo agradecimento aos missionários da Consolata pela sua presença em Luacano (o único Município/Distrito da Diocese de Luena que até á nossa chegada não tinha nem padres nem paróquia) e recorda que conta muito com a nossa experiência missionária em África ad gentes e de formação dos leigos de modo ajudar a diocese no trabalho de evangelização. Da minha parte, agradeço o Bispo pela sua proximidade e por todo o apoio dado pela diocese (casa, carro, apoio logístico, etc.) para tornar possível a nossa presença na diocese de Luena e mais concretamente em Luacano.
No sábado, 22 de Dezembro, regresso a Luanda e início da visita à Comunidade IMC de Kapalanga
Logo de manhã vou celebrar a Missa na catedral de Luena. Mesmo de semana, igreja cheia de fiéis. Inicia a visita à comunidade IMC de Kapalanga. Todos os confrades estão nas celebrações da Novena de Natal em diferentes comunidades.

P. Diamantino Antunes

Actualizado em Sábado, 29 Dezembro 2018 23:44