| A Missão Hoje - Campos de Trabalho |
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A inculturação da fé;
A inculturação não é a adaptação exterior de textos, ritos, músicas e quaisquer outra expressão da cultura. Deve ir mais longe: deve conduzir à descoberta dos valores e significados mais profundos da alma de um povo. “A inculturação pressupõe a íntima transformação dos valores culturais mais genuínos por meio da sua integração no cristianismo e o arraigo do cristianismo nas culturas” (RM 52). A evangelização deve estabelecer uma ponte de comunicação entre a fé e cultura, e tentar curar as feridas causadas por uma evangelização desencarnada da realidade sociocultural. Trata-se de um desafio muito importante que implica, especialmente, três coisas: vencer o abismo entre a identidade cultural de um povo e o cristianismo, isto é, entre fé e cultura; resolver o divórcio entre a fé e a vida; superar o sincretismo religioso, harmonizando o património cultural com o Evangelho. Dom Francisco Lerma - I.M.C. - Bispo de Guruè
"Hoje em dia, fala-se muito de inculturação e de interculturalidade partindo de vários pontos de vista. Um missionário não é um antropólogo animado de filantropia, mas em primeiro lugar e sobretudo, é um discípulo de Jesus, quer obedecer e cumprir o mandamento de fazer todos os povos discípulos de Jesus. É quanto fazem os missionários e missionárias da Consolata desde o ano que pisaram a terra de Moçambique (1925). Entrando em contacto com um povo, aprendendo a sua cultura e língua, acabam desde o começo por fazer uma maravilhosa constatação: o povo fala do seu Deus, da caminhada histórica e reflexiva para com ele. Incansavelmente nos mitos, nas lendas, nos provérbios, nas festas comemorativas... o povo narra as obras criadoras de Deus, dos seus atributos terapêuticos e das suas normas éticas. Praticamente o missionário, ao começar o seu anúncio, reconhece que aí Deus está já em casa, e é já de casa desde há muito tempo. O Dom da messe precedeu o missionário, como tal, tem que entrar em diálogo sério e profundo com a religiosidade de um povo, com a sua teologia, e deve fazer interculturalidade não antropológica, mas teológica. Deus preparou ao missionário o caminho. A primeira tarefa do missionário não é de semear, mas de ceifar o que foi já semeado por Deus e produzido pela inquietação do coração humano: aquela semente, uma vez ceifada e avaliada, terá que ser fecundada pelo Evangelho. Inicialmente o missionário é um ceifador, para depois se tornar num semeador. Só assim evita que a sua evangelização se torne num colonialismo religioso, só assim é desde começo evangelização inculturada ou melhor interculturada, pois deve necessariamente interpor-se uma troca de dons entre a cultura evangelizada e o Evangelho que se incultura. A evangelização autêntica não é uma recepção de um património, mas a celebração de um matrimónio, uma simbiose bipolar criadora entre evangelização e cultura de um povo. Esta metodologia é a originária de Jesus. Ao enviar os seus discípulos, lembra-lhes em primeiro lugar que a messe está pronta e imensa, por isso os envia com o mínimo necessário, isto é, com o essencial (o kerigma), pois tudo o resto já está pronto e à disposição para ser ceifado (cfr. Lc 10,1-24). Em conclusão, o binómio fé e interculturalidade é para o missionário primeiramente um indicativo categórico receptivo (ceifar, ceifador), em seguida um imperativo categórico operativo (semear, evangelizar), por fim um optativo categórico evolutivo (Igreja Local de fé, esperança e caridade autêntica)."
Pe. Giuseppe Frizzi
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